História de
Afonso Cláudio
Conheça a trajetória do município, os povos e famílias que participaram de sua formação e as transformações que construíram Afonso Cláudio ao longo do tempo.
Uma história construída por muitas pessoas
Afonso Cláudio é um município do Espírito Santo. Sua história foi construída por diferentes povos e famílias, ao longo de muitas gerações. Conhecer essa trajetória ajuda a entender como surgiram as comunidades, como o território se transformou e por que devemos cuidar da nossa memória.
Este espaço reúne informações históricas, registros, referências e materiais que podem auxiliar estudantes, professores e toda a comunidade interessada em conhecer a história de Afonso Cláudio.
Os povos indígenas e a história do território
A história do território é anterior à formação da cidade e do município.
Muito antes da formação da cidade, povos indígenas já viviam na região. Por isso, a história de Afonso Cláudio não começa com a chegada de famílias de outras localidades.
Os povos originários, como também são chamados os povos indígenas, fazem parte dessa história desde antes da criação do município.
Pesquisas sobre o interior do Espírito Santo registram a presença do povo Puri nas proximidades das cabeceiras do rio Guandu, isto é, na região onde ficam suas nascentes.
Documentos antigos também usam o nome “botocudos” para diferentes grupos indígenas. Esse era um nome dado por pessoas de fora desses grupos e não identifica, sozinho, um único povo.
Os registros precisam ser estudados com cuidado para compreender quem vivia em cada lugar.
A chegada de novos moradores transformou os territórios indígenas e provocou disputas por terras. Os povos indígenas participaram da história regional e também enfrentaram violência e perda de espaços de vida.
A chegada de famílias de outras regiões
Durante o século XIX, ou seja, entre os anos de 1801 e 1900, a região recebeu pessoas de outras partes do Espírito Santo, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
Elas vieram em busca de terras para morar, trabalhar e cultivar. Alguns relatos também mencionam a procura por ouro.
Entre os nomes citados nos relatos antigos estão Frederico Wilmer, Antônio de Souza Barros e Sabino Coimbra de Oliveira.
As fontes apresentam diferenças sobre as datas de chegada e as ações de cada pessoa. Assim, não é possível tratar todas essas versões como certezas nem apontar, sem dúvidas, um único fundador.
Ao longo do tempo, famílias se estabeleceram em diferentes pontos do vale do Guandu e de seus afluentes.
A formação do povoado
Antes de existir a cidade como a conhecemos, havia pequenos povoados, isto é, lugares com um conjunto de casas e moradores.
Um dos núcleos citados nos relatos históricos ficava próximo ao córrego dos Três Pontões, em uma área associada ao nome Arrependido.
Segundo esses relatos, a dificuldade de conseguir água levou moradores a se transferirem para as margens do rio Guandu.
Sabino Coimbra de Oliveira é lembrado pela participação na organização do povoado e por atividades de construção, hospedagem e comércio.
Com a chegada de mais famílias, o novo núcleo cresceu. O povoado ficou conhecido como São Sebastião do Alto Guandu.
O nome reunia uma referência a São Sebastião, ligada à tradição católica, e ao rio Guandu. Documentos também mencionam os nomes Guandu de Cima e Guandu.
Na década de 1880, a organização de uma igreja dedicada a São Sebastião acompanhou o crescimento da comunidade. Há relatos sobre a compra e a doação de terrenos para a igreja e para o povoado.
O rio Guandu e os caminhos entre as comunidades
Os rios, córregos e caminhos tiveram papel importante na organização da ocupação e na circulação de pessoas e mercadorias.
O rio Guandu teve papel importante na localização das moradias e no crescimento do povoado.
A proximidade da água influenciava a escolha dos lugares onde as famílias se estabeleciam.
Os rios e córregos também eram referências para identificar propriedades e caminhos.
Existem diferentes histórias sobre a origem do nome Guandu. Uma delas relaciona o nome à presença do feijão-guandu.
Essas explicações fazem parte da memória local, mas não devem ser apresentadas como uma origem comprovada.
Para ligar as comunidades, foram abertos caminhos por onde passavam pessoas, animais e mercadorias. Os tropeiros ajudavam a levar produtos de um lugar para outro.
A presença das pessoas negras
A história local também registra pessoas negras submetidas à escravidão.
Entre os nomes mencionados estão José Cambuquira, Joaquim Cambuquira, Risoleta e Orestes.
Esses registros mostram que a escravidão fez parte da ocupação da região.
Pessoas escravizadas eram privadas de liberdade e obrigadas a trabalhar para outras pessoas.
Ao estudar esse período, usamos a expressão “pessoas escravizadas” para lembrar que eram seres humanos com nomes, famílias e histórias, submetidos a uma condição de violência.
Sua presença precisa ser reconhecida, mesmo quando os documentos contam pouco sobre suas vidas.
Da formação à criação do município
Alguns dos principais acontecimentos apresentados nas fontes históricas consultadas.
Ocupação do território
A região recebe famílias de diferentes partes do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Crescimento da comunidade
A organização da comunidade e da igreja dedicada a São Sebastião acompanha o crescimento do povoado.
Criação do município
É criado o município de Afonso Cláudio, separado de Cachoeiro de Santa Leopoldina.
Instalação do município
O município de Afonso Cláudio é oficialmente instalado.
Registro de doação de terras
Documento registra doação de terras relacionada à formação da comunidade.
A sede torna-se cidade
A sede municipal recebe oficialmente a categoria de cidade.
As famílias que ajudaram a formar as comunidades
No final do século XIX e no início do século XX, chegaram outras famílias do Espírito Santo, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
A região também recebeu imigrantes de origem italiana e alemã.
Ao longo das gerações, a convivência entre pessoas de diferentes origens contribuiu para formar as comunidades de Afonso Cláudio.
Para compreender essa trajetória, é importante conhecer tanto os nomes citados nos documentos quanto as histórias das famílias e dos trabalhadores que aparecem pouco nesses registros.
Imagens que contam nossa história
Fotografias, documentos, paisagens e registros podem ajudar a compreender as transformações de Afonso Cláudio.
Como conhecemos a história de Afonso Cláudio?
A história pode ser estudada por meio de documentos, jornais, fotografias, mapas, objetos e relatos de moradores.
Esses materiais são chamados de fontes históricas. Cada fonte mostra uma parte do passado e precisa ser comparada com outras informações.
Um relato transmitido entre gerações pode guardar lembranças importantes. Porém, quando existem versões diferentes sobre uma data ou um acontecimento, precisamos reconhecer essa diferença e continuar pesquisando.
Também devemos observar quem escreveu cada documento e quais pessoas tiveram suas histórias pouco registradas.
Na escola, essa história pode ser investigada com fotografias antigas, entrevistas com familiares e pesquisas sobre os lugares onde vivemos.
Palavras para compreender o texto
Fontes para consulta
As referências abaixo podem ser utilizadas para aprofundar o estudo da história de Afonso Cláudio.
Texto de referência disponibilizado para esta adaptação.
Histórico e formação administrativa de Afonso Cláudio. Biblioteca do IBGE.
Consultar documento do IBGE →
Políticas públicas para educação da população indígena e instrução pública no Espírito Santo no século XIX: interrogando silenciamentos historiográficos. Tese de doutorado. UFES, 2025. Seção sobre o Aldeamento Imperial Afonsino.
História dos povos indígenas no Espírito Santo. Volume 1: Os Puri. Vitória: Editora Milfontes, 2017. Disponível no acervo digital do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo.
Conhecer o passado é cuidar da nossa memória
Estudar Afonso Cláudio é conhecer a formação dos bairros e das comunidades, reconhecer os povos que participaram dessa trajetória e cuidar dos lugares e das lembranças que ajudam a contar o passado.
